Capítulo 02 - Em noites de verão

   - E então Lívia, para onde vamos? – eu pergunto enquanto passamos o cartão para pagar a passagem do ônibus que tínhamos acabado de entrar.
   - Você esta com medo de mim, Alex? – Lívia me perguntou rindo um pouco. – Por que você não viu no ônibus?
   - Não sei – eu resumi as duas respostas em apenas duas simples palavras de três letras – Você pode me explica direito por que você me chamou para essa sua aventura?
   - Primeiramente, eu te chamei por achei que seria mais divertido em dupla. – ela começou a me responder enquanto sentávamos nos últimos bancos do ônibus. – Segundamente, eu ainda o considero um pouco meu amigo, mesmo que não nos falamos há algum tempo. E eu não tenho nada contra você, logo não terei que me vingar.
   - Seu plano é de vingança? – perguntei espontaneamente.
   - Sim – ela respondeu do mesmo modo e depois tentou corrigir um pouco a estrema sinceridade – Que dizer, é mais ou menos. Algumas partes são apenas para tornar as coisas mais divertidas.
   Depois ficamos em silencio observando atentamente as luzes pela janela. Descermos do ônibus e atravessamos a rua ainda em silencio. Só voltamos a falar um com o outro quando já estávamos dentro de um mercado.
   - O que viemos fazer aqui? – eu perguntei para a Lívia assim que passamos pela porta de entrada do mercado.
   - Não lembrava que você era tão ansioso – Lívia me respondeu continuando a andar e observa os produtos das prateleiras dos corredores vazios. – Você realmente mudou Alex.
   - Nisso eu não mudei muito – eu disse, o que fez Lívia virar em minha direção interessada com o que ei iria falar – Eu sempre fiquei ansioso perto de pessoas que eu gosto.
   Ela ficou meio vermelha, o que a deixou ainda mais bonita. Depois ela virou e continuamos a andar pelos corredores praticamente desertos em silencio.
   Depois de ela pegar dois salgadinhos grandes, achamos um carrinho vazio e começamos a colocar os produtos que ela pegava lá dentro. Pegamos também duas garrafas medias de Coca-Cola, uma tina de cabelo preto azulado, uns cinco rolos de fita transparente e um caixa pequena de fraudas para recém-nascidos.
   - Qual o sentido de comprarmos tudo isso? – eu perguntei quando estávamos na fila do único caixa aberto do mercado.
   - Com o tempo você ira saber – ela disse e pegou um chiclete de morando que estava pendurado perto da gente.
   Pagamos tudo e depois sairmos do mercado cheios de sacolas. Atravessamos a rua novamente e entramos em um prédio comercial bem alto. Subimos todos os andares de escada e quando chegamos à cobertura, já estávamos muitos cansados.
   - Esse prédio não tem elevador? – Eu perguntei quando ela me entregou uma das garrafas de Coca-Cola para mim.
   - Tem, mas tava desligado – ela disse abrindo um pacote de salgadinho.
   Como não tinha nada para fazer enquanto ela comia me levantei e fiquei observando a cidade que mesmo nessa hora tinha varias luzes ativas. A cidade lembrava-me um céu estrelado, no qual as estrelas nunca param de brilhar. Só que no caso de São Paula, as estrelas foram substituídas por luzes artificiais.
   - Vamos? – Lívia me perguntou depois de um tempo.
   - Vamos aonde? – eu perguntei em resposta ainda meio confuso por ter saído tao rápido do meu devaneio.
    - Finalizar a noite – ela disse e abriu um sorriso como uma criança antes de fazer bagunça – Hoje vai ser tranquilo.
   - Se não for demorar muito, tudo bem - eu disse olhando a hora no celular, afinal já era tarde e teríamos aula amanha de manhã - Já é tarde.
Lívia meio que concordou comigo e, já que que não demos muito para descemos novamente, dessa vez de elevador e com apenas a caixa de fraudas e uma caneta azul.
   Andamos por mais ou menos três quarteirões no lado opostos ao da nossa casa até a casa da Larissa, uma menina da minha sala de aula que eu achava que era amiga da Lívia, mas pelo o que ela fez logo depois, ela não pareciam mais muito amigas.
   Lívia colocou a caixa que estava segurando e depois segurou a campainha por um tempo consideravelmente longo, logo depois ela saiu correndo para traz de um murinho de pedra de tamanho médio, e eu a segui em seguida. Ficamos ali, agachados, esperando que algo acontecesse. E foi exatamente isso que vimos, algo acontecendo.
   Um senhor, não muito velho, saiu aparentemente muito nervoso e sonolento e ficou por um tempo a procura de alguém ate ele ver a caixa que aviamos plantado sobre o tapetinho da porta que ele abrira.
   - Quem deixou isso aqui? - o homem perguntou praticamente gritando. Depois ele abaixou a cabeça  para ler o que estava escrito, o que me deixou mais curioso para saber o que estava escrito.
   Passou um tempo silencio e uma luz se ascendeu dando a possibilidade de ver a silhueta de uma garota magra, provavelmente a Larissa. Pouco tempo depois ela apareceu atrás do pai furioso, o que só serviria para aumentar a confusão criada por Lívia.
   - Olhe isso - o pai disse nervoso assim que percebeu que a filha estava atrás dele de roupão rosa bebe - Parabéns Larissa pela gravidez - o pai começou a ler olhando varias vezes com desprezo para a filha - Espero que nasça forte e feliz, e que traga para você serenidade. Estou lhe dando esse presente para ajuda, mas também queria pedir para ser a madrinha. Se aceitar minha proposta, venha falar comigo que eu a ajudarei muito. Te adoro, bejinhos.
   - Eu posso explicar... - Larissa começou a falar enquanto seu rosto ficava molhado de suas próprias lagrimas.
   - Você pode explicar o que? - o pai perguntou gritando - Você ainda quer conversar? Então vamos... - o pai jogou a caixa longe e depois puxou a filha pelos cabelos loiros ate dentro de casa onde eles continuaram a gritar muito alto.
   - Podemos ir agora? - eu perguntei para Lívia que ria em silencio ao meu lado.
   - Você pode ir sim, mas amanha me encontra novamente no prédio - ela disse beijando meu rosto rapidamente como uma mãe em um bebe e depois se levanto - Te vejo amanha, depois das onze.
   Fiquei olhando Vivia andar ate entra em um mercadinho pequeno que ficava muito perto de onde estávamos. Assim que ela desapareceu da minha visão eu fui ate o jardim da Larissa , peguei novamente a caixa e sair correndo com a caixa nas mãos.
   Entrei no ônibus que me levaria para casa que estava praticamente deserto, exceto pelo motorista, o cobrador e por um homem que vendia coisas aleatórias. Aproveitei o tragedio para passar branquinho, que eu avia comprado dentro do ônibus mesmo, na frase provocativa que Lívia tinha escrito.
   Desci no começo da minha rua, em frente a uma casa de uma amiga da minha mãe que tinha acabado de ter quatro bebes, três meninas e um menino, e ainda era mãe solteira. Ela estava feliz e tinha dinheiro para sustentar os bebes, mas mesmo assim deixei a caixa em sua porta. Sem tocar na campainha sair e fui para minha casa exausto. Provavelmente eu chegaria no meu quarto e dormiria de roupa mesmo.





Atores que representam fisicamente os meus personagens:

Lívia: Margaret Qualley
Alexandre: Logan Lerman
Alana: Eliza Taylor
Valentin: Keiynan Lonsdale
Guilherme: Cameron Dallas
Lilith: Rowan Blanchaerd


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